Eu vejo Jesus em cada ser humano

Eu vejo Jesus em cada ser humano

“Eu vejo Jesus em cada ser humano…”

“Eu sirvo porque amo Jesus”.

Santa Teresa de Calcutá

Quando me pediram para escrever sobre uma frase de Santa Teresa de Calcutá, confesso que muitas reflexões me passaram pela mente, afinal, uma vida tão cheia de “divinas” experiências como a dela, logo seria fácil escolher algo do que falar. Que tolice a minha achar que alguém que cuidava do próprio Cristo escondido nas necessidades humanas me deixaria escrever sem viver um pouquinho dessa mesma experiência.

Percorrendo as pesquisas de várias frases, poemas e respostas a jornalistas ditas por Santa Teresa, me deparei com algo que falou profundamente ao meu coração: “EU VEJO JESUS EM CADA SER HUMANO”. Vindo de alguém que dedicou sua vida a lavar feridas, matar a fome, consolar as perdas e dar aos seres humanos de uma pequena parte da Índia a dignidade de filho de Deus – feito imagem e semelhança -, não é de se estranhar. Indubitavelmente, o catecismo nos ensina que todo ser humano é chamado a essa vocação de amor ao próximo como o princípio e o fim último da união divina com Deus. Mas o que teria essa frase a me ensinar?

Meu pai, um senhor de 73 anos de vida e teimosia, desde a juventude se dedicou ao alcoolismo sem nunca aceitar ajuda para se libertar do vício. Ele mora comigo há cinco anos e, confesso, que nunca foi fácil. O cansaço e desesperança por vezes me visitavam, só quem partilha dessa dor sabe como se dá essa convivência. Nos últimos dias ele foi diagnosticado com “cirrose hepática avançada”, muitos exames, idas e vindas ao médico, remédios na madrugada, muitas dores e limitações.

Apesar da preocupação, é impressionante, e porque não dizer divino, a experiência que tenho vivido nos últimos dias – incrivelmente uma compaixão tomou conta de mim. E assim se deu minha resposta. Como ver Jesus em cada ser humano? Cuidando do meu pai pude perceber a fragilidade humana e a necessidade de atenção, de zelo, a importância de ser presença sem importar o passado, sem julgar as atitudes, as escolhas, os caminhos e me perguntar: em meu lugar, o que Jesus faria?

Fato é que, alguns de nós não sabe a diferença entre” empatia e alteridade”. A empatia é o dom de se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente, enquanto a alteridade nos aponta a diferença de cada ser humano e suas necessidades. Estamos cada vez mais distantes uns dos outros, o que antes era apenas uma impressão ou fruto da agitação diária, agora é uma triste realidade física e comportamental imposta por terceiros e que nos acomoda a viver inertes e alheios, apontando os limites e diferenças como desculpa para omissão.

Adriana Ramos – Ministério de Promoção Humana RCC Anápolis