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Encontro dos Servos da RCC Anápolis em Janeiro de 2020.

Um encontro comigo, com o próximo e com Deus

Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (MT 5,8)

O avanço tecnológico, a ciência e o grande número de informações que permeiam o mundo atual, não foram capazes de fornecer ao ser humano a capacidade de entender os planos de Deus. De fato, pela inteligência é impossível, pois só o Espírito Santo é capaz de revelá-los. Somente um homem movido pela unção do Espírito é capaz de compreender os mistérios de Deus. Neste sentido nos esclarece Jesus quando diz que somente um coração puro, livre, desapegado, autêntico e bondoso, que procura agradar a Deus é capaz de perceber, aceitar e realizar à vontade d’Ele.

Um coração puro é dom de Deus, um presente dado aos que se dispõem a recebê-lo e a buscá-lo sobretudo sob três aspectos: o encontro comigo mesmo, o encontro com o meu próximo e o encontro com Deus.

O encontro comigo mesmo – Visitar o nosso interior como se fosse uma sala onde possamos olhar e descobrir todos os detalhes que nos agradam e desagradam. Ter a consciência de que sou a morada do Espírito (I COR.3,16) e devo buscar a intimidade com Ele.

As práticas de espiritualidade devem ir além de um mecanismo que nos leva à confissão, à comunhão, à oração e à leitura da Palavra. É preciso viver a espiritualidade num âmbito mais profundo, pessoal e exclusivo dessas práticas com “Aquele que habita”. É assumir, antes de tudo, as misérias humanas entulhadas nas portas dessa sala e retirar do caminho o que impede o acesso de Deus em nós.

O encontro com o outro – Entender que Deus é tudo e está em tudo, desde as mais pequenas coisas até as mais grandiosas e, principalmente, no outro, no meu próximo e semelhante a mim. Deus é a beleza, a consciência, a inteligência e a memória, tudo está voltado para Ele e n’Ele tudo deve ser realizado.

Desde a antiguidade, a igreja vem se revelando e se mantendo inabalável através dos tempos. Tem, ao longo dos anos, agregado em sua espiritualidade diversos carismas que deram origem a grandes ordens religiosas e movimentos como carmelitas, franciscanos, beneditinos, capuchinos e até mesmo a graça abundante da Renovação Carismática. Cada uma dessas ordens encontraram o livre acesso a Deus por meio de Jesus Cristo, por isso não devemos exigir do outro a mesma espiritualidade, uma vez que cada um vive seu processo e suas experiências de Deus.

O encontro com Deus – “Hoje vemos como num espelho, confusamente, mas então veremos face a face” (I Cor 13, 12). A espiritualidade é a atitude que compreende convicções e práticas que o homem assume frente aos valores espirituais, trata-se do relacionamento do cristão com Deus, com o infinito, com o absoluto. A Igreja, rica e alicerçada sob os pilares da Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério nos oferecem as verdades reveladas por Nosso Senhor Jesus Cristo e é por meio dessas verdades que veremos a Deus. Para estar face a face é preciso conhecê-lo e amá-lo, buscar incansavelmente a imagem de Cristo a que somos predestinados, entregar-nos sem reservas firmados na esperança de que o conheceremos totalmente como Ele nos conhece.

Que durante todo o tempo busquemos ter com Ele um diálogo mais profundo e sincero por meio da palavra. Que vivamos na observância das pequenas coisas, na simplicidade da vida sem pressa, buscando o equilíbrio físico, racional e espiritual. Se envenenamos nosso espírito com as impurezas dos pensamentos e a busca desenfreada por conhecimento e poder, seremos somente seres que se arrastam, sem conseguirmos ficar de pé. Contudo peçamos a Deus como Salomão: “Dá-me, disse-Lhe, um coração que escute” (I Reis 3,9)

Adriana Ramos Lúcio Moura – Ministério de Promoção Humana